Hugo França

Hugo França é responsável por diversas peças de mobiliário espalhadas pela Fazenda Serrinha. O designer é conhecido por suas esculturas mobiliárias de natureza monumental, em obras que passeiam entre o artístico e o utilitário, contando um pouco da história do Brasil. Seu nome figura entre os mais conceituados do design contemporâneo nacional, além de fazer sucesso também no exterior, representado em Nova Iorque pela R20th Century Gallery. “O trabalho dele é um dos mais majestosos do design contemporâneo. Sua relação com a natureza é algo extraordinário. Hugo tem um talento nato para saber exatamente como manipular as formas naturais”, resume Zesty Meyers, diretor da galeria. Com uma trajetória de 15 anos, começou intuitivamente a prática do ecodesign e introduziu a sustentabilidade na marcenaria e na decoração, quando o termo ainda nem estava em uso.

Adepto do respeito à natureza, Hugo propõe o aproveitamento de resíduos florestais e materiais lenhosos. O ponto de partida é seu olhar sensível para as árvores – principais fontes de inspiração e matéria-prima – mais precisamente as do Pequi, centenárias e em extinção. Com forte caráter artesanal, o conceito do trabalho é cíclico, já que o designer acredita na transformação criativa de usos para os objetos. A intenção é levar a árvore de volta ao convívio humano de maneira harmoniosa. A partir desse material descartado, cria peças únicas com seus troncos, galhos e raízes que não teriam utilidade ou valor comercial não fosse seu olhar apurado e intervenção precisa. O resultado é um design orgânico e surpreendente, que preserva as formas e as características naturais da madeira. “Os móveis de Hugo França são simples e expõem com clareza seus propósitos. Sua poética é forte, dramática e sensual. O designer imprime na forma algo de sensualidade, certas características de carne, de vida, no que antes era matéria morta, esqueleto vegetal”, sintetiza Fabio Magalhães, curador e autor do novo livro sobre Hugo França em Inhotim.

Engenheiro de formação, eco designer por intuição

Não há como falar do trabalho de Hugo França sem mencionar sua história de vida. A carreira desse designer gaúcho teve início nos anos 90 durante o tempo que morou em Trancoso, no sul da Bahia, onde percebeu o grande desperdício na extração e uso da madeira. A trajetória profissional foi incentivada pela próxima convivência com as comunidades locais e pela observação dos índios patoxó no processo de criação de seus artefatos.  Sua primeira peça foi uma pia de baraúna esculpida a partir de um tronco, que veio pra São Paulo, virou objeto de desejo e, posteriormente, dada sua relevância, impulsionou o reconhecimento de seu trabalho.

De lá pra cá, suas peças vêm causando impacto onde aparecem, levando suntuosidade e surpresa para os mais diversos ambientes. Além de estarem presentes em coleções particulares pelos quatro cantos do mundo, suas esculturas mobiliárias costumam ser arrematadas em grandes leilões pelo mundo e estão expostas em acervos permanentes de museus como o da Casa Brasileira, em São Paulo, o Centro Cultural Correios e o Museu do Açude, no Rio de Janeiro e Inhotim Instituto Cultural, em Minas Gerais. Este último, localizado em Brumadinho, concentra um dos maiores conjuntos de obras de arte expostas a céu aberto do mundo e reúne cerca de 100 peças de Hugo nos jardins atualmente.

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Hugo França is a Brazilian designer who produces furniture and sculptures using roots and trunks from natural debris— trees condemned by natural causes or human interference. Over the past 20 years, França has researched materials and techniques for working to transform trees into objects, sculptures and furniture. He has made projects from a wide variety of sizes, from small trees measuring approximately 20 inches in diameter, to larger trees measuring several feet in diameter. His work is known for the ways in which he respects the natural curves and characters of the wood, lending harmony, balance and function to the forms. The technique França developed preserves the characteristics of the wood and its organic features.

Working in the same tradition as modernist Brazilian masters, Hugo França (b. 1954) is best known for his reverential use of raw Brazilian hardwoods. Working exclusively with fallen trees and old canoes he purchases from the Pataxó Indian tribes, França creates unique designs that showcase the beauty of these natural materials. His work is extremely labor-intensive as he favors the use of Pequi, a gigantic oleaginous tree, which averages 148 feet (45 meters) in height and 10 feet (3 meters) in diameter. The high oil content, textures and holes of the Pequi wood makes it useless to industrial clear-cutters and they often leave them behind after taking out an entire forest. França gives the dead trees a second life in his exquisite, massively scaled furniture and sculptures.França manually crafts each piece he designs, sometimes opening grooves in the wood to expose features that the material is unable to express on
its own, other times carving it down it to rediscover curves that highlight the tree’s natural organic forms.

After studying production engineering at the university in his hometown in Brazil, and working briefly at a computer company in the early 1980s, França moved to the jungle of northeastern Brazil in Bahia. There, he spent fifteen years living and working close to the Indian tribes who taught him their generations-old woodworking techniques. He now works primarily out of his atelier in São Paulo, but spends a week into the fishing village of Trancoso in Bahia where he maintains a studio and works with locals to source fallen trees to repurpose for his designs.